Países falantes de português: por que o português é uma língua global?
- Equipe EP

- 15 de jan.
- 4 min de leitura
Este é o 1º de uma série de artigos sobre os países da CPLP
Nesta série pretendemos abordar:
a importância do português em um contexto global;
o perfil dos países falantes de português.
Queremos fazer isso de forma sucinta, com foco no ensino do português como língua estrangeira. Ou seja, o objetivo não é aprofundar excessivamente, mas apresentar panoramas gerais.
Ao longo dos artigos, deixaremos diversos links para sites externos, para que o leitor possa se aprofundar em determinados tópicos de acordo com sua preferência. Sintam-se à vontade, inclusive, para indicar outros links relevantes nos comentários.

Nesta série, apresentamos os países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com foco em seus perfis linguísticos e culturais. O objetivo é oferecer subsídios para professores, estudantes e demais interessados no ensino de línguas que desejam compreender o português para além de uma única variedade nacional.
Ao longo dos artigos, você deve encontrar:
o papel do português em cada país;
a convivência com outras línguas;
características linguísticas relevantes;
referências culturais úteis para o ensino, como música e literatura.
A proposta é ampliar o repertório e reforçar uma visão do português como uma língua global, diversa e viva, aspecto fundamental para enriquecer nossas práticas pedagógicas, nossa visão sobre a língua e, claro, a de nossos estudantes.
Um pouco mais sobre os países falantes de português
O português é uma língua particularmente interessante:
é falada em cinco continentes;
nenhum de seus países falantes faz fronteira entre si.
Portanto, longe de ser homogênea, trata-se de uma língua pluricêntrica, que se adapta, se transforma e incorpora marcas locais em cada país onde é usada. Prova disso são as influências do tupi-guarani e das línguas de matriz africana no português do Brasil, por exemplo.
Atualmente, os países da CPLP reúne cerca de 290 milhões de pessoas — entre falantes de língua materna e de segunda língua — distribuídas pela África, América, Europa e Ásia. Esse número coloca a língua como a quinta mais falada do mundo, atrás do inglês, mandarim, hindi e espanhol, segundo a Ethnologue.
Além de sua relevância linguística e cultural, a CPLP possui também importância econômica estratégica. O conjunto de países membros forma um espaço de cooperação que envolve mercados emergentes, circulação de pessoas, produção cultural, comércio, educação e ciência. Assim, o português funciona como língua de integração, facilitando trocas econômicas, diplomáticas e acadêmicas. Ao receber alunos estrangeiros, percebemos que, muitas vezes, sua motivação inicial está justamente nesse aspecto.
CPLP: um panorama geral
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma organização internacional que reúne países e territórios unidos pelo uso do português como língua oficial ou como herança histórica. Mais do que um bloco político, a CPLP representa um espaço de cooperação linguística, cultural, educacional e diplomática.
Para professores de línguas, compreender a CPLP é essencial para trabalhar o português como uma língua pluricêntrica, falada em diferentes continentes e contextos socioculturais. Trata-se de reconhecer, enfatizar e compreender essa diversidade.
Quando a CPLP foi criada?
A fundação oficial da CPLP ocorreu em 17 de julho de 1996, em Lisboa, e é resultado de uma ideia concebida no início dos anos 1980, segundo informações do site oficial da própria CPLP.
Inicialmente, a entidade reunia Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Timor-Leste, após sua independência, aderiu em 2002, e a Guiné Equatorial passou a integrar a organização em 2014.
Por que a CPLP foi criada?
Entre seus principais objetivos estão:
fortalecer os laços históricos entre os países lusófonos;
promover a cooperação política e diplomática;
incentivar a difusão e a valorização da língua portuguesa;
desenvolver projetos conjuntos nas áreas de educação, cultura, ciência e saúde.
A ideia central era criar um espaço institucional em que o português fosse não apenas um idioma comum, mas também um instrumento de diálogo internacional.
O português como língua pluricêntrica
Um dos conceitos-chave para compreender a CPLP é o de língua pluricêntrica. Isso significa que:
não há um único “centro” normativo absoluto do português;
cada país desenvolveu variedades próprias da língua;
todas essas variedades são legítimas e plenamente funcionais.
Para o ensino de português como língua estrangeira (PLE), essa perspectiva é fundamental, pois contribui para:
refletir sobre visões normativas rígidas;
valorizar a diversidade linguística;
preparar estudantes para diferentes realidades comunicativas.
A CPLP e o ensino de Português como Língua Estrangeira
Você sabia que a CPLP mantém um portal com materiais e recursos didáticos destinados a professores de português como língua estrangeira ou não materna?
Gerenciado pelo IILP — Instituto Internacional da Língua Portuguesa —, o Portal do Professor de Português Língua Estrangeira / Língua Não Materna (PPPLE), é uma iniciativa bastante relevante e reforça, assim como o Ensinar Português, a importância do ensino da língua.
Afinal, por que a CPLP é relevante para professores de línguas?
Conhecer melhor a CPLP permite ao professor:
situar o português no mundo;
trabalhar a variação linguística de forma consciente;
ampliar o repertório cultural dos alunos;
mostrar que aprender português significa acessar múltiplas culturas, e não apenas um único país.
Afinal, apresentar um fado ou um semba a um estudante que aprende português do Brasil só pode enriquecer sua experiência, não é?
A CPLP reforça, assim, a ideia do português como uma língua global, diversa e em constante transformação.
Por fim...
Demos o 1º passo para entender o mais sobre a CPLP, importante entidade que liga os países falantes de português e revimos alguns dados importantes sobre a língua.
No próximo artigo traremos Angola!




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