Perfil de estudantes de PFOL

Agora vamos conhecer um pouco sobre os perfis dos estudantes de PFOL/ português como língua estrangeira. Vamos abordar os principais perfis e informações sobre as aulas com base em nossas experiências.

  • Executivos e funcionários de multinacionais estrangeiros: esse público, tem contrato de trabalho e ficam meses ou anos, dependendo do tipo de contrato. Engana-se quem acha que eles só querem aprender o português para negócios, eles também querem aprender para a comunicação do cotidiano, uma vez que no seu trabalho, geralmente, eles utilizam ou inglês ou outra língua. As aulas são no começo da manhã, almoço e final de tarde. Muitas vezes não há uma rotina de aulas por conta das reuniões, viagens e excesso de trabalho. Como, na maioria das vezes, a empresa paga pelas aulas, é necessário emitir uma nota fiscal para a empresa.

  • Intercambistas estrangeiros: esse público é composto por jovens estudantes de universidades ou colégios e, geralmente, fica de 6 meses a 1 ano. Eles querem aprender o português do cotidiano, uma vez que, na maioria das vezes, precisam alugar uma casa e resolver todos os problemas do dia a dia. As aulas particulares, geralmente, no meio da manhã ou da tarde, mas também podem ser em universidades no horário determinado pela mesma.

  • Imigrantes: esse público é composto por pessoas que saem de seus países para trabalhar em comércios ou empresas próprias e, diferentemente do público executivo, não tem contrato com multinacionais. Esse público procura fazer aula fora do horário comercial e, geralmente, quer aprender rápido para falar com os clientes. Muitas vezes, esses estudantes vivem em comunidades de conterrâneos e, raramente, participam de atividades com os falantes nativos. Por isso, o aprendizado torna-se mais lento.

  • Crianças e adolescentes estrangeiros de escolas internacionais: esse público acompanha os pais ou responsáveis, geralmente são filhos de executivos, e estudam em escolas internacionais. A convivência com a língua portuguesa é pouca, pois ela é aprendida como língua adicional nas escolas e a comunicação é toda feita em uma língua em comum para todos os alunos. Geralmente, esse público tem aula nas escolas internacionais durante a grade e aulas, ou aulas privadas de reforço após o horário escolar.

  • Familiares acompanhantes de executivos estrangeiros e imigrantes: esse público acompanha seus cônjuges ou familiares que estão a trabalho. Geralmente, esse público se ocupa dos afazeres domésticos e familiares, por isso, as aulas são em períodos do meio da manhã ou de tarde. Na maioria das vezes, precisam aprender rapidamente para conseguir organizar a rotina no país.
  • Pessoas em situação de refúgio: esse público chega ao país em condições psicológicas e socioeconômicas totalmente diferentes das anteriores. Geralmente sofrem perseguição política ou religiosa em seu país. As aulas são oferecidas gratuitamente por associações e ONGs em diferentes horários.

  • Indígenas: esse público aprende a sua língua nativa e, só então, vai aprender a língua portuguesa. Na maioria das vezes, esse público vive nas aldeias e recebe um professor de português no mesmo local. Muitas universidades, ONGs e associações oferecem aulas a eles gratuitamente.

  • Surdos: esse público aprende a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como sua língua materna e só depois, começam a aprender português como uma língua adicional. Há instituições, ONGs e associações que oferecem as aulas que podem ser dentro da grade escolar ou não.

Luhema Ueti é professora de PFOL desde 2005, formada Letras e Pedagogia, com Mestrado em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo. Escreve nesse espaço duas vezes por mês.

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