O livro didático

A história do LD tem como base a história do livro de leitura, Barbier (2008) apresenta o levantamento histórico, desde a invenção da escrita e dos papiros até o surgimento das novas tecnologias e dos livros digitais, em um panorama histórico que aqui será sintetizado.

De acordo com Barbier (2008), a história do livro está relacionada à da escrita, especialmente a alfabética, que aparece a partir do II milênio a.C.. Acredita-se que o volumen, primeira forma de livro, tenha surgido no Egito, no início do III milênio a.C.. Era feito de tiras do caule do papiro – planta encontrada às margens do Rio Nilo. Como o papiro ao ser dobrado quebrava-se, o livro era enrolado e consequentemente o texto era escrito em um só lado, dividido em duas colunas sucessivas perpendiculares.

Em Roma, o papiro era empregado desde o século III a.C. e era muito utilizado para difundir as ideias dos intelectuais da época.  Com o desenvolvimento da escrita cursiva, entre os séculos I a.C. e VI d.C., o volumen perdeu espaço para o codex: livro em pergaminho (pele de carneiro preparada), dobrado e encadernado. A pele de carneiro era preparada para receber a escrita, depois era dobrada algumas vezes, formando assim um caderno que podia ser costurado com outros cadernos. Com esse novo formato de livro, usava-se os dois lados do suporte e podia-se consultar e tomar notas, privilegiando o estudo individual e silencioso. 

A Igreja Católica está intimamente ligada ao desenvolvimento dos livros, pois as escrituras e ensinamentos bíblicos eram copiados e escritos para que se pudesse propagar a fé cristã. Até o século XI, a fabricação dos livros desenvolveu-se nos monastérios e os monges foram os responsáveis por ampliar as técnicas de preparação da pele de pergaminho, de paginação e encadernação.

Nesse mesmo século, o livro ganhou um universo fora do mundo religioso. Com o surgimento das universidades, a escrita e o livro passam a ser para a ampliação do conhecimento científico e intelectual. Surgem também livrarias comerciais, espaços especializados na venda de materiais para a escrita, bibliotecas fora dos monastérios e particulares. Nesse período o livro também passou a ser um objeto de recreação, os burgueses cultivavam o hábito de ler como uma forma de diversão.

Para atender a um número maior de indivíduos letrados, a produção de livros cresceu e se desenvolveu, juntamente com suas técnicas. Por volta do século XI, o papel chegou à Europa, trazido pelos árabes da China e tornou-se material mais utilizado em pouco tempo, devido ao seu baixo custo e mais rápida produção se comparado ao pergaminho.

Por volta de 1455, em Maiença, na Alemanha, Gutenberg publica a Bíblia de 42 linhas ou Bíblia de Gutenberg, livro que marca o início do desenvolvimento da tipografia. Segundo Barbier (2008, p. 122), antes disso, por volta de 1454, foram publicadas, também por Gutenberg, algumas edições de um manual de ensino de latim, provavelmente o primeiro livro didático impresso com técnicas tipográficas.

Com a criação da tipografia, as técnicas de produção dos livros são modificadas, fazendo com que o mercado que gira em torno do livro também se modifique. São criadas novas profissões, materiais e máquinas que modernizaram o processo de impressão. A tipografia espalha-se, primeiramente, pela Europa, e depois pelo mundo todo.

A tipografia se moderniza, utilizando-se de caracteres móveis, com isso os livros têm seu formato e preço reduzidos, tornando-se acessíveis a mais indivíduos. A cultura da leitura também se modifica, passando a ser silenciosa e mais rápida, além de estar presente no cotidiano de grande parte da população. Com as ideias Iluministas, o conteúdo impresso deixa de ser apenas religioso e passa a ser relacionado também às ciências humanas.

No século XIX, a produção de livros torna-se industrial, os números de gráficas aumentam, são criadas novas profissões relacionadas à impressão dos livros e o papel também é produzido em larga escala, diminuindo assim o custo do produto. A demanda aumenta, começa a ser implementado o uso do livro didático nas escolas. O “consumo” de livros aumenta e consequentemente as publicações também.

Hoje, com a modernização da fabricação de papel, da impressão do livro, há uma produção em massa e com o desenvolvimento dos meios de comunicação e informação, o livro adquire um formato digital, podendo ser lido na tela do computador, o chamado e-book ou ouvido no aparelho de som, o audio-book.

Nota-se que o desenvolvimento desse material de apoio está ligado ao aumento do acesso à educação pela população e à modernização e criação de novos suportes. Além disso, a retrospectiva histórica sobre o livro, apresentado por Barbier (2008), relata sobre o processo de produção do livro na Europa, berço do objeto, que teve grande influência na produção mundial, inclusive na brasileira.

Já no Brasil, a história é mais recente. Segundo Freitas e Rodrigues (2009), o marco histórico do LD no país é 1929, com a fundação do Instituto Nacional do Livro (INL), que ficou responsável pela divulgação, produção e distribuição de livros. Depois disso, várias foram as leis que regulamentaram o LD e os programas responsáveis por levá-los às escolas. Em 1938, foi criada a Comissão Nacional do Livro Didático (CNLD) responsável pela publicação da primeira lei sobre a produção e circulação do LD.

No ano de 1966, iniciou-se a Comissão do Livro Técnico e do Livro Didático (COLTED) pelo MEC, em parceria com a Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional. O COLTED era responsável por coordenar a produção, edição e distribuição de 51 milhões de LDs em três anos. Mas foi somente no ano de 1983, que os professores começaram a participar na escolha do LD. Em 1985, o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) entrou em vigor, substituindo o PLIDEF (Programa do Livro Didático para o Ensino Fundamental).

Em 1996, foi implementada a avaliação didática dos LDs. Após o ano de 2000, foram criados Programas Nacionais do Livro Didático tanto para o Ensino Médio (PNLEM), quanto para a Alfabetização de Jovens e Adultos (PNLA), em 2004 e 2007 respectivamente. Também em 2007 iniciou-se a distribuição de livros, cartilhas, e dicionários em Braille, além de CD-roms, cartilhas e livros em LIBRAS.

Texto extraído e adaptado da dissertação de mestrado:

UETI, Luhema Santos. O léxico da cultura brasileira no livro didático “Português via Brasil: um curso avançado para estrangeiros. P. 23-26. Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, 2012.

Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-15052013-092344/pt-br.php

Bibliografia

BARBIER, F. A história do livro. Tradução Valdir Heitor Barzotto, Ercilene Maria de Souza Vita, Andreza Roberta Rocha, Fábio Lucas Pierini, Luzmara Curcinho Ferreira, Sidney Barbosa. São Paulo: Paulistana, 2008. p. 479.

FREITAS, Neli Klix; RODRIGUES, Melissa Haag. O livro didático ao longo do tempo: a forma do conteúdo. DAPesquisa Revista de investigação em artes. Florianópolis, v. 1, n. 3,  Disponível em: <http://www.ceart.udesc.br/revista_dapesquisa/volume3/numero1/plasticas/melissa-neli.pdf>. Acesso em 12 de janeiro de 2012.

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