Música: Língua universal

Iniciar um dia de trabalho nem sempre é fácil: faça sol, faça chuva, acordar cedo, sair correndo e ir trabalhar demanda energia, foco e tempo. Muitos têm mais recursos e vão de carro para seu trabalho; outros vão de metrô e muitos outros de ônibus. Também há muitos que vão a pé. De uma forma ou de outra, uns com mais e outros com menos, todos vão se cansado quando o fim de semana se aproxima.

Esperar o metrô que passa a cada três minutos, parece muito quando estamos cansados. Se há filas, parece que o tempo para. E, devagar, todos vão se ajeitando e tomam seus lugares nos vagões cheios no horário de pico. Em meio a todos também um artista de rua entra no metrô. Ajeita-se como pode, toca e canta.

E canta bonito. Toca bonito também. No sacolejo do metrô, ambas as atividades exigem certo equilíbrio, haja vista as freadas bruscas e o pouco espaço.

O som da música invade aquele espaço onde há tantos olhos e ouvidos, agora voltados ao artista de rua. E, naquele espaço de um vagão, os rostos se põem mais leves, as feições menos duras. Nos rostos cansados pode se ver um quê de doçura, um leve sorriso.

As músicas, cantadas ou apenas instrumentalizadas possuem uma linguagem especial. Elas invadem mentes e corações. Está acima dos códigos, das línguas e dos idiomas porque penetram em nosso ser pela sonoridade e mexem com nossa alma.

Os artistas cantores possuem características distintas: alguns pedem palmas, outros são mais silenciosos. Porém, todos precisam sobreviver e por isso, um dinheirinho, cai bem. O lugar de colocar o dinheiro pouco importa: um chapéu, um boné, uma caixinha ou uma caixa grande, como já presenciei. Eles merecem.

Um deles me chamou a atenção porque mudou a forma de agradecer. Em vez de dizer obrigado, ele usava a palavra gratidão.

De nada, caro cantor. Somos nós que agradecemos pelas músicas que, por um momento nós torna todos entendedores da mesma língua, a língua dos sons que invade nossos corações.

Elza Gabaldi é professora de português para nativos e estrangeiros há 30 anos. Escreve neste espaço sempre que possível.

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